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Jornalismo em áreas de conflito
 
      
Correspondente da Reuters em Jerusalém fala sobre a cobertura jornalística no Oriente Médio
     
25/09/2009
   
Carolina Rossini
      
Aconteceu hoje, na Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, a palestra "Jornalismo em áreas de conflito", com a presença de Dan Williams, jornalista correspondente da agência internacional Reuters em Jerusalém desde 2001. O jornalista, que passou pelo Rio de Janeiro antes de chegar à capital, veio ao Brasil,a convite da agência de comunicação Comunique-se para falar sobre a cobertura jornalística feita nas áreas de conflito no Oriente Médio, principalmente entre Israel e Palestina.
                
Williams iniciou sua fala comentando a função do jornalista na sociedade, e a importância desse trabalho, que é levar as notícias até as pessoas. Quanto ao que é noticiado sobre a situação no Oriente Médio, o jornalista afirma: "A situação não é o que parece". O que ele explica logo em seguida é que em Israel existem cerca de 500 jornalistas cobrindo a situação para diversos veículos no mundo, portanto, a produção de notícias é muito grande, o que gera a impressão de que tudo acontece no Oriente Médio. Além disso, ele enfatiza a supervalorização das notícias que chegam de lá.
                 
O jornalista aponta os temas da religião, economia (devido ao petróleo) e as guerras como os grandes motivos pela cobertura jornalística em grande escala na região. O público está acostumado a ligar o assunto dos conflitos no Oriente Médio diretamente com Israel e Palestina, porém, Williams afirma que não é somente ali que se concentram as guerras, e diz acreditar que atualmente os jornalistas percebem as nuances que existem entre os países e o relacionamento entre eles.
            
Ao término de sua palestra, o correspondente da Reuters revelou um fato pouco conhecido por muitos de nós: "Quando as pessoas veem um jornalista no front de batalha, ou leem uma matéria feita em regiões de conflito, elas pensam no sofrimento do profissional, nos perigos corridos e no trabalho duro que deve ser trabalhar em guerras. Na realidade não é nada disso". E reforça: "É uma guerra de luxo para um jornalista".
                        
Segundo ele, o trabalho é bastante "simples", pois o jornalista fica hospedado em um bom hotel, sai para fazer a apuração e entrevistas, que também não são difíceis de obter, já que a imprensa é bastante aberta aos jornalistas na região. Após o trabalho de apuração ou a gravação de uma matéria, ele retorna ao hotel para descansar, e por ser uma cobertura de guerra, o profissional é valorizado. "Um jornalista mataria para aparecer na televisão em meio à guerra, usando um colete à prova de balas", afirma.
                
Para concluir, Williams declarou que falta vontade de ambas as partes para chegarem a um acordo de paz, pois não consideram benéfico no momento, mas que a população já aprendeu a viver com a constante tensão e o medo de ataques. Fez uma comparação com São Paulo e Rio de Janeiro: "Há uma onda de crimes nas cidades, mas você não vê ninguém aqui dentro com uma arma, e nem as pessoas apavoradas nas ruas. As pessoas aprendem a conviver com os problemas", conclui.

 
 
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